Aprendi a ler e escrever com pouco mais de 3 anos de idade. Minha avó percebeu que havia algo diferente ali, e chegou a conversar com a escola sobre me adiantar de ano. A resposta foi um "não" por causa da idade, afinal, eu nem tinha completado 5 anos - não poderia frequentar o primeiro ano, quanto mais o segundo. E assim, o que poderia ser uma investigação sobre altas habilidades acabou ficando para depois... E nunca aconteceu.
Durante a infância e adolescência, fui aquela criança que entendia rápido, se envolvia em tudo, se interessava por assuntos que nem os adultos gostavam de conversar. Sempre autodidata, com sede de saber — e muitas vezes desacreditada, incompreendida, ou até chamada de “exagerada” por ser intensa demais.
Recentemente, comecei a investigar mais sobre meu jeito de funcionar. Fiz vários testes e, pela primeira vez, me vi representada em um perfil: o das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Sim. Aquilo que a gente associa apenas a gênios da matemática ou a crianças em feiras de ciência pode ter muitas outras formas de existir. E talvez você também viva isso, sem saber.
Esse processo me trouxe clareza sobre muitos pontos da minha vida. Sobre a velocidade com que penso. Sobre como mergulho nos meus projetos. Sobre a dificuldade de me encaixar em espaços que não estimulam o pensamento crítico ou a criatividade. Sobre a intensidade das minhas emoções. E, principalmente, sobre o quanto precisei me ajustar para não parecer “demais”.
Hoje, tenho vontade de seguir esse caminho de forma mais profunda com um especialista. Quero esse diagnóstico não para ganhar um título, mas para me compreender — e também para entender meus filhos, que já demonstram os mesmos traços de inquietação, curiosidade e visão de mundo.
🧠 Estima-se que apenas 5% da população mundial tenha traços de superdotação. No Brasil, menos de 0,02% é oficialmente identificada. Isso significa que milhares de pessoas vivem à sombra do seu potencial, sentindo-se deslocadas, ansiosas, frustradas, subutilizadas — tudo porque ninguém nunca olhou para elas com a pergunta certa.
Por isso, compartilho aqui:
- Você já se sentiu assim?
- Já percebeu esses sinais em você, nos seus filhos, ou em alguém próximo?
Não é sobre ter todas as respostas. É sobre ter coragem de fazer as perguntas certas.
Se esse texto ressoar contigo de alguma forma, comenta, me chama ou compartilha. Talvez a gente ajude mais pessoas a enxergar quem realmente são — sem medo de ser.
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Aline Fontes